Discurso do mandatário chinês criticou indiretamente os EUA e defendeu o multilateralismo; Xi também se comprometeu a disponibilizar vacinas contra a Covid e acabar com usinas a carvão chinesas no exterior. Presidente chinês Xi Jinping fala em transmissão para a Assembleia Geral da ONU em 21 de setembro de 2021
Mary Altaffer/Pool via Reuters
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O presidente da China, Xi Jinping, defendeu o multilateralismo e criticou o que chamou de “monopólio da defesa da democracia” nesta terça-feira (21) durante seu discurso na 76ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em Nova York.
“A democracia não é um direito especial reservado a um único país, mas um direito para os povos de todos os países”, disse o mandatário chinês em uma transmissão.
Xi falou após Joe Biden, presidente dos Estados Unidos, fazer sua estreia na ONU. Em um discurso calmo e comedido, o chinês não fez menção à histórica rivalidade contra os americanos, mas fez críticas indiretas ao país e às recentes movimentações do Ocidente.
Em seu discurso, por exemplo, o presidente afirmou que eventos recentes mostraram que intervenções militares externas para a promoção da democracia só causaram danos – isso sem citar diretamente os EUA e a retirada americana do Afeganistão.
“Diferenças e problemas entre os países, dificilmente evitáveis, precisam ser tratados por meio do diálogo e da cooperação, com base na igualdade e no respeito mútuo”, disse Xi.
Além disso, o presidente chinês disse que o mundo deve “rejeitar a prática de formação de pequenos grupos”, em uma clara referência ao recente acordo militar anunciado por EUA, Austrália e Reino Unido para fornecer ao governo australiano uma frota de submarinos com propulsão nuclear.
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Combate ao coronavírus
Xi defendeu cooperação internacional para que o mundo possa pôr fim à pandemia e disse que a China vai fornecer 2 bilhões de doses de vacinas contra o vírus para o mundo até o final deste ano e que pretende doar 100 milhões de doses para países em desenvolvimento.
Ele também criticou a “politização das investigações” sobre as origens da Covid-19. Os EUA chegaram a acusar o governo de Pequim de não agir para controlar o surto. O governo americano também chegou a sugerir que a pandemia poderia ser causada por uma falha em um laboratório de Wuhan.
Uma investigação preliminar, comandada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) apontou que o coronavírus Sars-Cov-2 “mais provavelmente” foi transmitido de um animal para os humanos. No entanto, a Casa Branca pede que mais buscas sejam feitas.
Reduzir emissões
Xi também se comprometeu a acabar com a criação de usinas a carvão chinesas no exterior, uma promessa que acompanha uma movimentação da China para reduzir suas emissões de carbono até 2060.
O presidente chinês já havia afirmado que o gigante asiático iria chegar a seu pico de emissões em 2030, mas que a partir daquela data se movimentaria para chegar à neutralidade de carbono até o ano 2060.
“Precisamos melhorar a governança global, responder ativamente às mudanças climáticas e criar uma comunidade de vida para o homem e a natureza”, afirmou Xi.
A China prometeu aumentar o apoio a outros países em desenvolvimento em projetos de energia verde e de baixo carbono. Pouco antes, Biden também anunciou que dobraria a ajuda dos EUA para que países em desenvolvimento possam implementar ações de combate ao aquecimento global.
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Fonte: G1 Mundo


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