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Home»Entretenimento»Luísa Sonza aposta no excesso em ‘Brutal Paraíso’, disco cansativo em que bons momentos se perdem
Entretenimento

Luísa Sonza aposta no excesso em ‘Brutal Paraíso’, disco cansativo em que bons momentos se perdem

abril 8, 2026Nenhum comentário0 Visitas


‘Brutal Paraíso’, de Luísa Sonza, aposta no excesso e entrega audição cansativa
Título: “Brutal Paraíso”
Artista: Luísa Sonza
Nota: 5,5/10
Como a própria capa indica, o novo álbum de Luísa Sonza é tudo, menos contido. Ao longo de mais de uma hora de duração (com 23 faixas), “Brutal Paraíso” é frenético, oposto à cantora polida de “Bossa Sempre Nova” (também deste ano).
Vale dizer que discos gigantes não são raros. Nomes como Drake e Taylor Swift já apostaram em álbuns com muitas faixas, porque ajuda no volume de streams. O próprio “Escândalo Íntimo”, de Luísa, teve 24 músicas, mas foi lançado com algumas “bloqueadas”.
Já “Brutal Paraíso” vem com todas liberadas… e é quase três álbuns em um. Uma parte nasce da bossa nova (herança de seu disco anterior) e mergulha em um pop oitentista, carregado de sintetizadores e batidas dançantes com um quê de The Weeknd.
Nesse clima noturno, há citações de outras canções brasileiras: “Loira Gelada”, ela resgata o clássico do RPM. Já “E Agora?” tem uma interpolação de “Você Não Me Ensinou a Te Esquecer”, de Fernando Mendes (eternizada por Caetano Veloso).
Outra fração migra para o funk, o trap e até o reggaeton, com participações de MC Morena, MC Meno K, MC Paiva, a porto-riquenha Young Miko e o colombiano Sebastian Yatra.
Estão aí os hits em potencial, como “Tropical Paradise”. Nessa parte, as produções exploram diferentes BPMs e aparece a Luísa explícita, que canta sacanagem sem timidez.
Em uma terceira parte, entra em um pop rock datado, com composições dramáticas entre o emo e o louvor.
Luísa Sonza na capa de ‘Brutal Paraíso’, quinto álbum de estúdio
Reprodução
Essa mistura também aparece nas letras: ela vai do “proibidão” e sensual (“me chama de cachorra”, em “No Es Lo Mío”) ao rebuscado (“Impiedoso sofrimento, silenciosa dor”), entre português, inglês e espanhol.
Se parece um excesso de ideias, é porque é mesmo. “Brutal Paraíso” é um álbum ambicioso que tenta abraçar o mundo e acaba cansando. São diferentes ritmos, participações e até idiomas, às vezes em uma mesma faixa. A cantora ainda usa e abusa do “belting”, aquele estilo de canto agudo, cortante, que cansa o ouvido quando aparece com frequência.
A sensação é de que Luísa quer provar que sabe fazer de tudo. Ela canta em três línguas; faz bossinhas românticas; ainda tem funk para tocar em festas; ela também conhece clássicos da música brasileira… e tem mais novas “Penhasco” no repertório.
Mas esse desejo de se mostrar versátil acaba se voltando contra ela. Porque, claro, apostar em sons “brutais” e ecléticos faz parte e até rende alguns bons momentos nesse álbum.
Só que para um disco de 23 faixas funcionar, a edição é fundamental. No conjunto, que não abre mão nem de quantidade de músicas nem de recursos sonoros, o ouvinte sai fatigado. E as músicas que realmente brilham acabam soterradas por outras que parecem estar ali só para fazer volume.
Luísa Sonza em foto promocional do disco ‘Brutal Paraíso’
Divulgação
Um exemplo é a faixa-título, última do disco. A música é uma carta à sobrinha de Luísa: ela fala sobre ser uma mulher, sobre amar e se perdoar. “Essa é a história dos meus 20 e poucos anos”, canta.
É a música mais honesta do álbum e, por isso, merecia espaço para brilhar. Mas depois de um disco inchado, a canção acaba sobrando… e não ajuda que ela tenha 8 minutos de duração.
Isso porque, segundo a própria cantora, essas são somente as “primeiras 23 faixas” e vêm mais por aí. Será que precisamos de tantas músicas assim?
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É curioso pensar nisso logo sobre Luísa Sonza, que se consolidou como uma artista pop de álbuns. Ela sempre demonstrou interesse em caprichar nas suas “eras”, com estética e conceito definidos.
Mas para quem pensa tanto no álbum como um conjunto fechadinho, ficou de fora uma questão básica: um bom disco é aquele que você quer ouvir do início ao fim.
Na coletiva de lançamento, a cantora afirmou que não pensou na recepção do público, só na “entrega” que queria fazer. Deu pra ver.

Fonte: G1 Entretenimento

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